Footing na Rua das Flores: O Encanto das Noites de Luar em Capelinha

Nos anos dourados de 1950, Capelinha era um cenário de simplicidade e encanto. A cidade pequena, com suas ruas tranquilas e o ritmo sereno da vida interiorana, encontrava na Rua das Flores seu ponto de encontro mais charmoso. Quando a lua brilhava no céu e as estrelas bordavam a noite, a rua se transformava em uma verdadeira passarela social, onde os sonhos e os romances ganhavam vida no suave caminhar dos jovens e casais enamorados. 

O footing, como ficou conhecido esse passeio, era o ritual de quem buscava mais do que uma simples caminhada: era a oportunidade de trocar olhares, sentir o perfume das flores e admirar os vestidos cuidadosamente escolhidos para a ocasião. A elegância se fazia presente, seja nos passos leves das moças, sempre acompanhadas por seus pais ou irmãos mais velhos, seja nos rapazes que, com ternos bem ajustados, exibiam charme e galanteria. 

Depois da missa dominical, a Rua das Flores se iluminava com a presença da juventude capelinhense. O desfile começava na casa de Jorge Coelho e seguia até o sobrado de Geraldo Bonito, onde os passos se tornavam mais lentos, as conversas discretas e os sorrisos trocados revelavam segredos ainda não ditos. Era ali que se iniciavam as histórias de amor que, anos depois, dariam lugar a inúmeros casamentos na cidade. 

Ninguém sabe ao certo quem trouxe o termo footing para Capelinha, mas, sem dúvida, foi ele que transformou as noites em espetáculo de encontros e emoções. O tempo passou, as ruas mudaram, mas na memória de quem viveu essa tradição, o footing permanece como um dos capítulos mais belos da história romântica da cidade. E, quem sabe, no ar ainda ecoem os passos suaves e as risadas tímidas daqueles que fizeram da Rua das Flores o coração pulsante de um passado inesquecível. 

 

 












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